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Afinar, tornar o que é pesado mais leve. Perder peso. Tornar-me menos sólida, menos densa. Afinar a vida em leveza, mais delicada. Aprender a me curvar como os bambuzais, sem perder a firmeza do corpo. Render-me ao apelo da massa, tornar-me talvez menos eu, ao mesmo tempo mais Eu. Privar-me em algum tempo do que é bom em nome do que é melhor.
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Eu tenho fome de pão, de afeto e de bondade.
Também tenho fome do porvir, fome de escutar e fome de crescer.
Mas eu quero um tantão de amor, de calor e de sorvete.
Eu quero ser, quero viver, mas quero doer.
Minha fome é antiga, minha língua quer sentir
Também tenho fome de beijo de abraço e de livro bom.
Eu sou faminta de selva, de cinema e de licor.
E sem dourar a receita, você tem fome de quê?
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Se eu fosse ...
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Disciplina é a capacidade que permite à razão ser mais forte e vencer nossas vontades e nossa preguiça. É porque desenvolvemos essa
qualidade que conseguimos fazer exercícios maçantes todos os dias na mesma hora; que evitamos comidas com muitas calorias ou prejudiciais à
saúde; que nos faz abrir mão de coisas materiais para poupar e atingir um objetivo maior. Pessoas disciplinadas conseguem estudar quando,
na verdade, estavam com vontade de assistir à televisão ou bater papo com os amigos.
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6.3.2007

Monica Beraba, no Bar Jobi, no Rio de Janeiro, onde foi vítima de preconceito
Ruth de Aquino
Era um sábado de sol depois do carnaval. No Jobi, muito mais do que um boteco, templo cinqüentão da boemia carioca, no bairro do Leblon, um policial entrou de metralhadora no coldre e se dirigiu ao balcão. Não era para tomar um dos 1.360 chopes servidos ali diariamente nem para provar um dos 500 bolinhos de bacalhau que saem da cozinha num dia comum. Ele tinha sido chamado por Mônica Beraba, 54 anos e 108 quilos. Irritada com duas moças que a chamavam de gorda em tom de gozação a cada vez que pedia um prato ou uma bebida, Mônica chamou a patrulha do 23o Batalhão da PM. A gota d'água, disse, foi a banana frita. "Lá vem A GORDA pedindo sobremesa", teriam comentado as clientes esbeltas.
Cabo Cunha, louro, magro e alto, que até a véspera trabalhava do Complexo da Maré (que engloba 17 favelas), não encontrou testemunhas que se dispusessem a ir à delegacia para registrar a ocorrência. No primeiro dia de serviço no Leblon, o cabo Cunha descobriu que a sensibilidade é outra nos botecos da Zona Sul. O bar se dividiu: afinal, "chamar de gordo é ofensa?" Mônica ignorou risinhos dos fregueses. E ficou feliz porque as moças, segundo ela, tiveram que abaixar a cabeça quando o cabo Cunha entrou no Jobi. Para o policial, ela disse: "Se eu chamar algum garçom de preto, posso ir presa por racismo. Por que podem apontar o dedo pra mim e me chamar de gorda publicamente? Sou gorda, sim, mas não porque quero".
O advogado criminalista Marcelo Câmara dá razão a Mônica. Chamar de gordo como comentário pejorativo é caracterizado pela lei como injúria. "Quem faz isso em público pode receber uma pena de um a seis meses de detenção, com multa a ser determinada pelo juiz, se não houver acordo no juizado especial, com pedido de desculpas ou pagamento de indenização por dano moral", diz Câmara. O psicanalista Alberto Goldin acha que chamar alguém de gordinha de maneira carinhosa, vá lá, tudo bem, se a pessoa for íntima. "Ser gordo", diz Goldin, "já foi até moda e símbolo de status".
Hoje, a ditadura é da magreza e do corpo sarado. E o gordo - mais ainda, a gorda - sofre com a chacota e o preconceito. "O ex-síndico do meu prédio chegou a dizer uma vez que não ia entrar no elevador comigo porque podia cair. Já me chamaram de 'elefante no velocípede quando eu passeava de bicicleta", reclama Mônica. Entrar em algumas butiques femininas chega a ser constrangedor, segundo ela. Antes que peça uma roupa para a sobrinha, a vendedora vai logo dizendo: "Aqui não tem número seu não". Chamar de gordo com intuito de agredir, diz Goldin, é ofensa à diversidade humana.
Com mulher é pior. Palavra de psicanalista. Homem gordo com conta gorda no banco, segundo ele, não tem tanta dificuldade em encontrar companhia. Mulher muito acima do peso, fora de forma, além de sofrer com a saúde e a auto-estima, também encara muitas vezes a solidão. O cabo Cunha tentou sugerir a Mônica uma saída: "Por que a senhora não vai ali para a Pizzaria Guanabara (na esquina perto do Jobi), pede uma pizza, e se alguém a incomodar de novo, responde, 'sou gordinha mas sou feliz'?" É que o preconceito machuca. "Fiquei mal com toda essa história", diz Mônica.
Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG76619-5856,00.html